Os media descobriram os blogs. Nos últimos tempos, eles foram assunto em sites, revistas, jornais, etc.
O buraco da fechadura sempre atrai, mesmo quando é uma coisa consentida. Há quem acompanhe blogs como se fossem telenovelas, querendo saber ansiosamente se a autora ou autor vai reatar aquele velho namoro ou não. Mas grande parte dos leitores de blogs busca mesmo algum tipo de indentificação com os autores para a partir dali aproveitar dicas sobre interesses comuns que possam ter.
É a fragmentação e multiplicação dos formadores de opinião. Enquanto a estrutura dos media pré-internet forçava o veículo grande como principal fonte de informação, hoje vemos microgrupos que se formam ao redor deste fenómeno.
O internauta identifica-se muito mais facilmente com o bloguer independente e de perfil bem definido do que com a opinião muitas vezes sem rosto dos grandes veículos. É mais confortável levar em consideração o que diz alguém com quem nos identificamos de alguma forma (mesmo gosto musical ou cinematográfico, mesma equipa de futebol, mesma terriola, etc.) do que com um cronista de renome mas do qual pouco sabemos.
Um aspecto pouco lembrado é que os blogs representam uma gloriosa volta à palavra escrita. Nos primórdios da web, por deficiências tecnológicas, o texto era uma prioridade em qualquer site – imagens estáticas demoravam uma eternidade no download, e sons ou filmes eram um luxo impensável. Numa sociedade dominada pelos meios audiovisuais, voltávamos subitamente ao domínio do texto. Depois, com a aproximação da mítica banda larga, a web começou a ser invadida pelo visual, e fomos inundados por sites bonitos porém desprovidos de conteúdo. Hoje os blogs mostram que nem tudo está perdido para as belas letras. Pelo contrário, poucos imaginavam que poderia haver tanta porcaria espalhada pelo mundo, e legiões de escribas lançaram-se à web mal os obstáculos para a publicação foram contornados (para fazer um blog hoje não é necessário qualquer conhecimento de html, ftp ou outras siglas assustadoras para os neófitos).
Os blogs são… mais que uma versão online dos velhos diários escritos à mão, com canetas num caderno trancado a sete chaves. As influências são múltiplas, e vão dos velhos fanzines e jornaizinhos escolares até os sites pessoais e os cronistas da grande imprensa online e não só. É curioso que os grandes veículos de comunicação, em geral, tenham dado tratamento de curiosidade ao fenômeno dos blogs.
Muitos jornalistas não se sentem confortáveis com a concorrência que surgiu de todos os lados, sem diplomas e sem compromissos, e prefere descartar o movimento como moda passageira. Mas é nos blogs que vai surgindo uma nova geração de formadores de opinião, bem aos moldes anárquicos da internet, variando de modestos palpites sobre o último lançamento cinematográfico às grandes denúncias políticas. São milhares soltos pelo mundo, relatando, denunciando, opinando.